Mostra ‘100 anos da Revolução de Outubro’ traz 26 filmes no IEE da USP

Entre os dias 4 de maio e 2 de novembro, será realizada a mostra 100 anos da Revolução de Outubro por iniciativa da Associação de Pós-Graduandos do Instituto de Energia e Ambiente da USP (IEE-USP).

A mostra, que trará 26 filmes soviéticos e russos legendados em português, a maioria inéditos no Brasil, tem o apoio do CPC-UMES. Os filmes abordam as contradições de diversos períodos: a Rússia pré-revolucionária, a 1ª. Guerra Mundial, a Revolução de Outubro, a Guerra Civil, o Comunismo de Guerra, a NEP (Nova Política Econômica), o Plano Quinquenal (Industrialização Acelerada e Coletivização da Agricultura), a 2ª. Guerra Mundial, a consolidação do socialismo, o retrocesso revisionista, a restauração capitalista e o atual período marcado pela busca de um caminho independente e anti-imperialista. Os filmes serão exibidos no Auditório do IEE-USP, todas as quintas-feiras às 17:00h. Serão seguidos de debates e a entrada é franca. Veja a programação e sinopse dos filmes:

 

Programação da mostra

 

 

(04/05) TIGRE BRANCO Karen Shakhnazarov (2012), com Aleksey Vertkov, Valeriy Grishko, Karl Krantzkowski, Rússia, 104 min. Encontrado quase morto entre destroços fumegantes no campo de batalha, o tanquista Ivan Naidionov tem uma recuperação que surpreende os médicos. Ele revela que foi atingido pelo misterioso Tigre Branco, indestrutível tanque alemão que surge e desaparece por encanto, deixando um rastro de destruição e morte. Um elo sobrenatural conecta o homem à máquina empenhados numa batalha que se projeta para além daqueles tempos. “Tigre Branco” disputou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 2012.

 

(11/05) UM ACIDENTE DE CAÇA Emil Loteanu (1978), com Galina Belyaeva, Oleg Yankovskiy, Kirill Lavrov, Leonid Marko , URSS, 105 min. Adaptado da novela de Anton Chekhov, considerada precursora do romance policial psicológico, o filme penetra no vazio moral da aristocracia decadente ao narrar o drama da jovem Olga, filha de um servo, cobiçada por três homens de meia-idade.

 

(18/05) VASSA Gleb Panfilov (1983), com Irina Churikova, Valentina Yakunina, Vadim Medvedev, URSS, 131 min. Possuidora de uma frota de embarcações de transporte fluvial, a família de Vassa está às voltas com problemas capazes de comprometer sua reputação e negócios. O marido é acusado de abuso de crianças, seu irmão engravida a empregada, uma filha é “errada da cabeça”, a outra está se tornando alcoólatra. Para evitar a ruína de seus protegidos, a poderosa matriarca recorre ao suborno, chantagem, falsificação e assassinato. É baseado na peça Vassa Zheleznova, em que Gorky visa explicitar o potencial de desumanização das relações capitalistas de produção. Prêmio melhor direção no Festival Internacional de Cinema de Moscou (1983).

 

Trilogia de Maksim

 

(25/05) JUVENTUDE DE MAKSIM Grigori Kozintzev e Leonid Trauberg (1934), com Boris Tchirkov, Valentina Kibardina, Mikhail Tarkhanov, URSS, 98 min.

 

(01/06) O RETORNO DE MAKSIM Grigori Kozintzev e Leonid Trauberg (1937), com Boris Tchirkov, Valentina Kibardina, Mikhail Tarkhanov, Stepan Kajukov, URSS, 113 min.

 

(29/06) O BAIRRO DE VIBORG Grigori Kozintzev e Leonid Trauberg (1938), com Boris Tchirkov, Valentina Kibardina, Mikhail Zharov, URSS, 121 min.

Entre 1934 e 1938 Grigori Kozintsev e Leonid Trauberg realizam três filmes conhecidos como a “Trilogia de Maksim”, todos com música composta por Dmitri Shostakovich. “Juventude de Maksim”, “O Retorno de Maksim” e “O Bairro de Viborg” retratam 10 anos na vida de um trabalhador russo que vive intensamente o período revolucionário. A trilogia retrata três momentos: Em 1910, ele adere ao bolchevismo, empenha-se na luta clandestina e acaba preso. Em 1914, atua em greves e manifestações contra a guerra, e ingressa no Exército para prosseguir a luta em seu interior. Depois da Revolução de Outubro, Maksim torna-se comissário encarregado da direção de um banco nacionalizado.

Na 1ª. Guerra Mundial (1914-18), a Rússia compôs com a França, Inglaterra - e, depois de 1917, com os EUA - um bloco que se bateu contra a aliança Alemanha, Império Austro-Húngaro e Império Turco-Otomano numa sangrenta disputa pela obtenção de novos mercados e fontes de matérias-primas. No Congresso da Basileia (1912), os delegados da Internacional Socialista votaram por unanimidade resolução que convocava os trabalhadores a uma “luta decidida pela paz”, contra os “objetivos espoliadores da guerra preparada pelos imperialistas”. Uma resolução de oposição frontal ao esforço de guerra. Com a aproximação do conflito, a maioria dos partidos da 2ª. Internacional foi se amoldando ao expansionismo das burguesias de seus países. O partido de Lenin manteve-se fiel à resolução, o que foi decisivo para a vitória da Revolução.

 

(08/06) LENIN EM OUTUBRO Mikhail Romm (1937), com Boris Shchukin, Nikolai Okholopov, Yelena Stratova, URSS, 108 min. Em 1917 a Frota do Báltico e unidades do Exército estão sublevadas contra o governo Kerenski, unindo as vozes às dos operários e camponeses que exigem paz: a saída da Rússia da guerra mundial. Lenin chega a Petrogrado num trem vindo da Finlândia. Na reunião do Comitê Central, derrota as resistências de Zinoviev, Kamenev e Trotsky para deflagrar a insurreição. As forças contrarrevolucionárias fazem uma caçada para matar o líder bolchevique. Os acontecimentos ganham ritmo veloz até o momento final: sob bandeiras de “Pão, Paz e Terra!” e “Todo Poder aos Sovietes!”, a Revolução de Outubro triunfa.

 

(22/06) LENIN EM 1918 Mikhail Romm (1939), com Boris Shchukin, Nikolai Cherkassov, Nikolai Okholopov, Aleksandr Shatov, URSS, 96 min. Em meio às batalhas que se sucederam após a Revolução de Outubro, Lenin sofre um atentado. Gravemente ferido, se restabelece algumas semanas depois. Nesta continuação de “Lenin em Outubro”, Romm produz uma trama carregada de ação, suspense, heroísmo, traição, humor e lirismo, que conduz o espectador ao centro dos acontecimentos.

 

(06/07) CHAPAYEV Georgi e Serguey Vasilyev (1934), com Boris Babochkin, Boris Blinov, Varvara Myasnikova, Leonid Kmit, URSS, 93 min. O que “Potemkin” foi para o cinema mudo, em 1925, “Chapayev” representou dez anos depois para o jovem cinema sonoro da URSS. Como “Potemkin”, “Chapayev” se baseia em fatos reais. Mas ao invés de se fixar na ação das massas, o filme a condensa na trajetória de um herói da guerra civil, Chapayev, que comandou a 25ª. Divisão do Exército Vermelho contra as tropas brancas de Kolchak, na Sibéria, durante os anos 1918-19. Seu tema principal é o choque entre personalidades e saberes do camponês Chapayev e do comissário bolchevique, Furmanov, encaminhado para ajudá-lo. “Chapayev” foi um dos primeiros filmes lançados após o 1º. Congresso de Escritores Soviéticos de 1934, onde Gorky apresentou sua ideia de um realismo socialista, em contraste com o realismo crítico do Século 19 que “se limitava a expor as imperfeições da sociedade”. Para ele, o compromisso maior do novo realismo era com o “desenvolvimento do povo” e a luta pela superação de suas contradições internas. O filme teve mais de 30 milhões de espectadores no primeiro ano de exibição.

 

(13/07) O CAMINHO PARA A VIDA Nikolai Ekk (1931), com Nikolai Batalov, Mikhail Zharov, Yvan Kyrlya, URSS, 95 min. Primeiro filme sonoro soviético, o filme se inspira no trabalho do pedagogo, Anton Makarenko (1888-1939), que à frente das colônias Gorki e Dzerzhinsky, nos anos 20 e 30, desenvolveu um método de ensino e socialização de jovens saídos da marginalidade, baseado na vida em comunidade, trabalho, disciplina e participação dos internos na organização da escola. Para a República Soviética, essa recuperação tinha, além do sentido humanitário e social, um caráter político. De acordo com Dzerzhinsky , tratava-se de impedir que os jovens delinquentes continuassem a servir como massa de manobra da contrarrevolução. Ganhou o prêmio de Melhor Direção, no Festival Internacional de Veneza (1932).

 

(20/07) AS 12 CADEIRAS Leonid Gayday (1970), com Archil Gomiashvili, Serguey Filippov, Mikhail Pugovkin, URSS, 161 min. Com a economia arrasada após o fim da Guerra Civil, a URSS adotou de 1921 a 1928 a NEP (Nova Política Econômica), definida por Lenin como um recuo tático com estímulo à pequena propriedade privada no comércio varejista, indústria e agricultura. A introdução de práticas capitalistas, naquele momento, estimulava, a produção de mercadorias, mas trazia desigualdade e egoísmo. Neste cenário, um ex-aristocrata procura uma fortuna em diamantes escondidos pela sogra, antes de morrer, no forro de uma cadeira. Seu braço direito é o eloquente e ardiloso Ostap Bender, um vigarista tão típico daqueles tempos que entrou para sempre no folclore russo. Adaptação do clássico “As Doze Cadeiras”, de Ilya Ilf e Evgueny Petrov.

 

(27/07) O JURAMENTO Mikhail Chiaurelli (1946), URSS, com Sofiya Giatsintova, Mikhail Gelovani e Nikolai Bogolyubov, 106 min. A saga da família Petrov apresenta as fases percorridas pelo desenvolvimento da URSS, e os agudos conflitos políticos originados por interesses de classe antagônicos, quanto aos caminhos a serem trilhados, desde a morte de Lenin até o final da 2ª. Guerra Mundial. “O Juramento” ganhou Medalha de Ouro no Festival Internacional de Veneza (1946).

 

(03/08) O VELHO E O NOVO Serguey Eisenstein e Grigori Aleksandrov (1929), com Marfa Lapkina, Konstantin Vasilyev, Vassily Buzenkov, M.Ivanin, Ivan Yudin, URSS, 90 min. Produzindo individualmente, com técnicas arcaicas, os camponeses pobres, na época a ampla maioria da população da URSS mal conseguiam sobreviver e eram impiedosamente explorados pelos kulaks (camponeses ricos). Cansada dessa miséria, a camponesa Marfa Lapkina decide reforçar o movimento pela coletivização da agricultura organizando um kolkoz (cooperativa). De início, a adesão é pequena, mas em meio a intensa luta ideológica entre velhas e novas concepções as vantagens da produção coletiva vão se afirmando. Ponto alto do cinema silencioso.

 

(10/08) O CARTÃO DO PARTIDO Ivan Pyryev (1936), com Andrei Abrikosov, Anatoli Goryunov, Igor Maleyev, URSS, 108 min. Em 1934, o assassinato de Serguey Kirov, líder do Partido Comunista em Leningrado, revelou a existência de uma rede contrarrevolucionária dedicada a promover atentados contra o poder soviético. Kuganov é um sedutor agente da quinta-coluna que se aproxima de Anna para forjar a fachada legal para atividades de sabotagem e espionagem. Inocentemente, ela se casa com ele e acaba envolvida numa trama que acarreta sua condenação, depois de seu cartão de identidade do partido, roubado por Pavel, ter sido usado numa operação.

 

(17/08) TRATORISTAS Ivan Pyryev (1939), com Marina Ladynina, Nikolai Kriuchkov, Boris Andreev, URSS, 88 min. Klim Iarko, piloto de tanque, volta da guerra para retomar suas funções como mecânico de tratores. Apaixonado pela líder de uma famosa equipe feminina de tratoristas, que possui inúmeros fãs e pretendentes, vai à sua procura. Mecânico experiente, Klim se desdobra para dar mais eficiência ao trabalho dos tratoristas e conquistar o coração de Mariana. A canção que acompanha os créditos desta comédia musical se tornou um marcante sucesso popular.

 

(24/08) ALEKSANDR NEVSKY Serguey Eisenstein (1938), com Nikolay Cherkassov, Nikolai Oklopkov, Andrei Abrikosov, Valentina Ivasjova, URSS, 108 min. Na primeira metade do século 13, o príncipe Aleksandr Nevsky evita o confronto com os tártaros que impunham pesados tributos às cidades russas e concentra esforços na organização de um exército popular que vence uma ameaça mais perigosa: os Cavaleiros Teutônicos, que pretendiam se apossar do território russo, submetê-lo ao Sacro Império Romano-Germânico e erradicar sua cultura. Rodado por Eisenstein, em 1937-38, o paralelo que o filme estabelece entre aqueles invasores e as hordas hitleristas que se preparavam para devastar a URSS é cem por cento intencional, mas nem por isso menos rigoroso do ponto de vista histórico. Com trilha musical de Serguey Prokofiev.

 

(31/08) VÁ E VEJA Elem Klimov (1985), com Aleksey Kravchenko, Olga Mironova, Vladas Bagdonas, Liubomiras Lauciavicius, URSS, 136 min. Em 1943, o adolescente Floria, de uma aldeia bielorrussa, encontra um velho fuzil e se junta ao movimento guerrilheiro contra os nazistas. A ocupação da Bielorrússia foi de uma selvageria sem precedentes. Das 9.200 localidades destruídas na URSS durante a 2ª. Guerra, 5.295 estavam situadas naquela região. Mais de 600 vilas, como Khatyn, foram aniquiladas juntamente com toda a sua população: 2.230.000 soviéticos, um terço dos habitantes da Bielorrússia, foram mortos na invasão alemã.

 

(07/09) A JOVEM GUARDA Serguey Gerassimov (1948), com Vladimir Ivanov, Inna Makarova, Nonna Mordyukova, Serguey Gurzo, Lyudmila Shagalova, URSS, 189 min. A cidade de Krasnodon, Ucrânia, é ocupada pelos nazistas, em 20 de julho de 1942. Em outubro, um grupo de estudantes e trabalhadores cria a organização “Jovem Guarda”, que realiza trabalho clandestino de agitação e propaganda, atos de sabotagem contra as tropas alemãs e visa juntar-se às unidades avançadas do Exército Vermelho - que viriam a libertar a cidade em fevereiro de 1943. A situação da guerra, naquele período, começava a mudar. A blitzkrieg alemã conseguira tomar Kiev, capital da Ucrânia, mas fora detida ás portas de Leningrado e Moscou. Em janeiro de 1942, o contra-ataque soviético impõe à Wehrmacht a primeira derrota, obrigando-a a suspender o cerco a Moscou. Sem cereais e combustível para uma guerra prolongada, Hitler procura obtê-los consolidando a ocupação da Ucrânia e Bielorrúsia, enquanto concentra o grosso das forças no ataque a Stalingrado para controlar os campos petrolíferos do Cáucaso.

 

(14/09) STALINGRADO Yuri Ozerov (1989), com A. Karapetian, Bujutin Zakariadze, S. Jaskevic, Yu. Durov, Fritz Diz, Ivo Garani, G. M. Henneberg, URSS, 84 min. Em julho de 1942 tem início a Batalha de Stalingrado, a mais decisiva da 2ª Segunda Guerra Mundial, que marca o limite da expansão alemã no território soviético. A luta durou até fevereiro de 1943. A população de Stalingrado e as forças do Exército Vermelho resistem. As tropas invasoras são derrotados e perdem 850 mil homens entre mortos, feridos e prisioneiros. A partir daí os soviéticos passariam à ofensiva na guerra, enquanto os nazistas iriam sendo empurrados de volta a Berlim.

 

(21/09) A PROFESSORA DA ALDEIA Mark Donskoy (1947), com Vera Maretskaya, Pavel Olenev, Daniil Sagal, V. Lepeshinsky, URSS, 100 min. Por volta de 1910, em São Petersburgo, Bárbara Vasilyena encontra no baile de sua formatura como professora o militante bolchevique Serguey Martinov, por quem se apaixona. Ele é preso ao raiar do dia. Decidida a ensinar as crianças camponesas, ela segue para a remota aldeia de Shatry, no interior da Sibéria. A professora enfentará muitas batalhas, a começar pela sua aceitação por aquela comunidade. 35 anos de sua vida serão contados, tendo como pano de fundo as transformações ocorridas ao longo da história da Rússia e em seguida da URSS, até o término da 2ª. Guerra Mundial.

 

(28/09) O RETORNO DE VASSILY BORTNIKOV Vsevolod Pudovkin (1953), com Serguey Lukyanov, Natalya Medvedeva, Nikolai Timofeyev, URSS, 102 min. Dado como desaparecido na guerra, Vassily Bortnikov regressa ao lar e encontra a mulher casada com outro. Comunista abnegado e voluntarioso, ele enfrenta a situação, em seguida assume a liderança da reconstrução do kholkoz, mergulha na batalha pelo aumento da produção, mas com o passar do tempo vai se dando conta de que suas soluções para os problemas não estão funcionando bem. Os novos tempos exigem dele algo mais.

 

(05/10) PRIMAVERA Grigori Aleksandrov (1947), com Liubov Orlova, Nikolai Cherkassov, Faina Ranevskaia, URSS, 104 min. Quinta comédia musical com direção de Grigori Aleksandrov e trilha composta por Isaak Dunaievsky, na qual Liubov Orlova contracena com Nikolai Cherkassov - o astro de Eisenstein em “Aleksandr Nevsky” e “Ivan, o Terrível”. A sequência de abertura marca o ritmo febril da reconstrução do país no início do pós-guerra, período em que se situa o filme: uma sucessão de quiproquós que leva artistas e cientistas a superar preconceitos mútuos, aprendendo a conhecer melhor o papel de cada um na sociedade.

 

(12/10) A CIDADE DOS VENTOS Karen Shakhnazarov (2008), com Aleksandr Lyapin, Lidiya Milyuzina, Egor Baranovskiy, URSS, 105 min. Na década de 1970, um jovem universitário que se proclama “dissidente” disputa com o amigo comunista o amor da doce Lyuda, enquanto o entusiasmo socialista na URSS vai sofrendo uma gradual, porém contínua, erosão.

 

(19/10) OLIGARCH Pavel Lungin (2002), com Vladimir Mashkov, Mariya Mironova, Andrey Krasko, Russia, 123 min. Durante os anos Gorbachev (1985-1991), Platão Makovski e seus amigos universitários entram na onda de assumir o controle de empresas para restabelecer o capitalismo na Rússia. Seu primeiro grande golpe foi a criação da sociedade privada LogoVAZ, que passa a parasitar a AutoVAZ, estatal fabricante de automóveis Lada. Avançando 15 anos no vale-tudo para se apossar da propriedade pública, Platão se torna o homem mais rico do país, não se importando em sacrificar amigos para chegar ao topo. O filme é baseado no romance “Bolshaya Paika” de Iuly Dubov sobre Boris Berezovsky, o mais notório dos oligarcas que mandaram e desmandaram na Rússia durante o governo de Boris Yeltsin (1991- 99). O escritor Dubov foi um dos amigos que ele descartou no caminho. Mais tarde eles se reaproximariam no exílio em Londres. Ambos foram condenados pela justiça russa por fraude contra a AutoVAZ.

 

(26/10) SONHOS Karen Shakhnazarov e Aleksandr Borodyansky (1993), com Amaliya Mordvinova, Oleg Basilashvili, Armen Dzhigarhanyan, Arnold Ides, Rússia, 78 min. Na década de 1890, a condessa Prizorova sonha que é faxineira de um bar em Moscou, em 1993. Em incursões ao futuro a aristocrata vê o marido vender fotos dela nua, para ganhar dinheiro para comprar comida a preços altamente inflacionados – com Yeltsin chegaram a 2000%. Funcionários do governo a intimam a servir de atração sexual para convencer um representante do FMI a liberar créditos prometidos, mas não concedidos à Rússia. Uma ácida reflexão da diretora sobre a imitação das piores práticas ocidentais trazidas à Rússia pela restauração capitalista.

 

(02/11) A FILHA AMERICANA Karen Shakhnazarov (1995), com Allison Whitbeck, Vladimir Mashkov, Mariya Shukshina, Rússia, 95 min. Abandonado pela mulher que decide viver com um americano rico no país do Tio Sam, um músico russo vai ao seu encontro, dez anos mais tarde, visando restabelecer os laços com a filha pré-adolescente.

 

 

FUNDAÇÃO INSTITUTO CLÁUDIO CAMPOS