Salvação do Brasil é ter eleições gerais já!

Eleição indireta com esse Congresso só aumenta a crise

 

A vaga de indignação que tomou o país na noite de quarta-feira – e que continua a se espraiar e a se avolumar – é o acontecimento mais saudável e esperançoso que poderia haver para um brasileiro. Está plenamente justificado – e é, mesmo, um imperativo de quem ama sua Nação, seu povo e sua família - todo aquele que manifestar a sua raiva, até mesmo o seu ódio, contra essa rataria que tomou o poder e o usa para devastar o Brasil, para sacrificar o povo, para deixá-lo sem direitos, sem emprego, sem casa e sem comida - enquanto rouba, saqueia, pilha os recursos de todos, o dinheiro e a propriedade pública.

Quando fechávamos esta edição, em função das confissões e gravações da JBS, o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, fora afastado do Senado pelo STF e sua prisão preventiva estava para ser julgada; sua irmã, e parceira, Andreia Neves, fora presa. Temer escondia-se no Jaburu, dizendo aos seus auxiliares para "aparentar normalidade" (só rindo...) e Mantega – flagrado, mais uma vez, como receptador e operador de propinas para o PT – ainda não conseguira ser encontrado. Em frente ao Planalto, o ruído das buzinas era sem trégua. Em todo o Brasil, o povo, de várias formas, se manifestava contra o esgoto em que peemedebistas, tucanos e petistas tornaram a vida política e econômica do país.

Por tudo isso, se vê a quem beneficiava a campanha de Lula e seus sequazes contra a Operação Lava Jato, a Polícia Federal, os procuradores, o juiz Moro e o Procurador Geral Janot.

O que somente quer dizer que, na essência, a diferença moral de Lula para Temer é que o primeiro consegue enganar alguns trouxas – que, aliás, querem ser enganados, por isso enganam mais a si próprios do que Lula consegue enganar a eles. Fora o círculo de trouxas, Temer e Lula são, essencialmente, a mesma porcaria. Para ambos, roubar, receber propinas para agir contra o país, contra o povo, perpetrar estelionatos eleitorais (e não somente eleitorais), é algo que "faz parte da política" - aliás, para eles, a política serve para isso. Pode existir algo mais vomitivo?

 

PREPOSTO

 

Que o elemento degenerado que ocupa a Presidência fosse exposto ao bater a carteira de um transeunte, seria menos escandaloso e muito menos nocivo para a coletividade do que acertar, como Temer fez - através de um preposto, Rocha Loures - uma propina de R$ 500 mil por semana, durante 20 anos (isto é, R$ 480 milhões), para que o Cade, supostamente encarregado de combater práticas monopolistas, privilegiasse um monopólio privado contra - e às custas - da Petrobrás.

Isso aconteceu em março e abril último, ou seja, quase anteontem, e depois de três anos de Operação Lava Jato. Tamanha falta de vergonha para cuspir em cima das mais elementares normas sociais, tamanho desrespeito ao país e ao povo – mais ainda quando, ao mesmo tempo, se atenta contra os direitos trabalhistas e previdenciários – merece mais do que cadeia. Nessas horas, sente-se que a legislação brasileira, nesses casos, é muito branda.

Joesley Batista – um dos donos da JBS, que gravou suas conversas – disse a Temer que estava pagando a Eduardo Cunha e ao escroque Lúcio Funaro, ambos na cadeia, para que ficassem calados. Resposta de Temer: "tem que manter isso, viu?".

Cunha estava na reunião, no escritório de Temer, em que foi acertada a propina de US$ 40 milhões (40 milhões de dólares), para a cúpula do PMDB, com Márcio Faria, diretor da Odebrecht.

Funaro foi o portador do dinheiro da Odebrecht entregue, em 2014, no escritório de José Yunes (até há pouco, assessor especial de Temer), a pedido de Padilha e acertado com Marcelo Odebrecht pelo próprio Temer - segundo testemunho de Yunes, que recebeu o pacote com o dinheiro.

São duas amostras daquilo que Temer não quer que Cunha e Funaro falem.

Cunha, na cadeia, disse que "se a JBS delatar, será o fim da República". Temer diz, sobre o suborno de Cunha, "tem que manter isso, viu?".

Realmente, será uma grande nova para a História do Brasil se essa república dos Temer, Lula, Aécio, Cunha, e outros pulhas, acabar. Ela é tudo o que não temos de manter e não devemos manter. Sucintamente: ou o Brasil acaba com eles ou eles acabam com o Brasil.

Os Temer, Lula, Cunha & Aécio querem manter essa república de subornos, de pilhagem do dinheiro do povo, que é apenas um conluio de ladrões e de candidatos a feitores de escravos.

 

SAÍDAS

 

[Alguns acadêmicos petistas, tucanos ou assemelhados, recentemente apareceram com a tese de que estamos vivendo os últimos dias (o "esgotamento") da Nova República, inaugurada com o fim da ditadura e a eleição de Tancredo Neves. Não é verdade. O regime atual nada tem a ver com a Nova República de Tancredo, Ulysses e da Constituição de 1988. O problema é que o PT votou contra Tancredo, recusou-se a assinar a Constituição de 1988 e serviu de escada para a eleição de Collor - contra Ulysses e Brizola. Agora, tenta passar Temer, que eles mesmos colocaram no poder, como o "esgotamento" da Nova República, que petistas e tucanos já tinham liquidado há muito.]

É significativo que a maior parte do que dizem – assim como a mídia – são especulações de saídas para o país que não saem de coisa alguma. Segundo eles – inclusive o velho proxeneta Fernando Henrique – tudo "deve dar-se no absoluto respeito à Constituição". Ou seja, as eleições devem ser indiretas.

Essa malta nunca recuou em mudar a Constituição, de acordo com os seus interesses ou daqueles que mandam neles. Fernando Henrique mudou até o tamanho de seu mandato, com a reeleição, até o fim do monopólio estatal do petróleo e mais um sem número de mudanças na Constituição, contra o país. Ainda agora, querem atacar a Previdência Social através de uma mudança na Constituição.

No entanto, para resolver a crise que eles armaram e provocaram, aí não se pode mudar a Constituição – de repente se transformaram em respeitadores absolutos da Constituição, como se o principal preceito constitucional não fosse o de que o poder emana do povo – e, portanto, a Constituição tem que responder à vontade e aos interesses do país.

Mas somente são a favor de que a eleição seja indireta porque querem colocar alguém como o degradado Meirelles, presidente do conselho da JBS até o início do governo Temer, no Planalto.

Querem eleições indiretas porque não conseguem conceber nenhum mundo, nenhuma vida política, que não seja nos trilhos de uma república de propina e de destruição das forças produtivas do país. Querem continuar impondo ao país a sua corrupção. Daí esse súbito amor (??) à letra da Constituição, que, para eles, somente é sagrada quando lhes convém para submeter o país a espúrios interesses.

Querem que nada mude, porque interessa a eles que nada mude. Nem mesmo são adeptos do mandamento daquele príncipe ("é preciso que tudo mude para que tudo continue do mesmo jeito"). Para eles, é preciso que tudo continue igual para que continuem roubando o povo do mesmo jeito.

Evidente, o dispositivo constitucional que indica eleições indiretas não foi concebido para o tipo de crise atual, em que o próprio Congresso – ou seja, os eleitores de uma eleição indireta – é parte da crise.

Pois o que a confissão da JBS deixa claro é que precisamos de mais Lava Jato para limpar este país.

Daí a necessidade de recorrer ao povo – de convocar eleições gerais para varrer o excremento corrupto e estabelecer algum grau de democracia: um novo governo e um novo Legislativo.

O Brasil, a partir de quarta-feira à noite, será decidido pelas ruas, pois somente o povo pode restituir a si o poder que lhe foi usurpado..

C.L.

FUNDAÇÃO INSTITUTO CLÁUDIO CAMPOS