Em nova edição, “A História Continua”, de Cláudio Campos

Segunda edição do livro, revisada e ampliada, foi lançada em ato na Câmara Municipal de São Paulo

 

A Fundação Instituto Cláudio Campos (FICC) realizou na Câmara Municipal de São Paulo, na última terça-feira (17), o lançamento da segunda edição revisada e ampliada do livro “A História Continua”, de Cláudio Campos, fundador da Hora do Povo.

“É impossível pensar em avançar a luta pelo socialismo no mundo sem compreender o que ocorreu com o socialismo na União Soviética, sem entender o que aconteceu na primeira experiência do ponto de vista prático, teórico na construção do socialismo, e foi por isso que o Cláudio se debruçou em estudar essa experiência”, afirmou o presidente da FICC, Nilson Araújo.

Segundo ele, Cláudio chegou a algumas conclusões básicas em seus estudos sobre o socialismo, que estão condensados em “A História Continua”, entre elas que se pode dividir a história da União Soviética em dois grandes momentos. “O primeiro, que vai da revolução em 1917 até o começo da década de 1950, período dirigido primeiramente por Lennin e depois por Stalin, que foi o período onde no fundamental se avançou na construção do socialismo. E o segundo se inicia no XX Congresso do Partido Comunista, em 1956, período onde começa o retrocesso do socialismo na União Soviética, e que culmina com a sua queda”, disse Nilson.

A diretora da FICC, vice presidente do PPL e viúva de Cláudio, Rosanita Campos, afirmou que a Fundação estava realizando um sonho do Cláudio e uma necessidade da luta popular brasileira. “Vocês não sabem o que é lembrar do Cláudio abrindo aquela edição caseira que nós fizemos, a primeira edição da “História Continua”, folhear página por página e dizer: ‘tem esse erro aqui, essa palavra escrita errada, tem que fazer outro livro, tem que corrigir isso, isso não pode sair desse jeito’, isso era o Cláudio. Ele era doido para fazer uma segunda edição desse livro. Estou muito feliz porque é um sonho dele que nós estamos realizando. Estamos aqui com gente da família, Roberto, a Ivana, Mariana, Rogério, a Márcia, o Pedro que organizou esse evento e não pode estar aqui, a Mônica que apoiou, a Maíra e a Ana Claudia, nossas filhas que ajudam muito na Fundação. Nós estamos conseguindo fazer isso,  realizando uma vontade dele, mas também uma necessidade política da nossa revolução no Brasil, que é ter este livro a mão e a disposição de todos nós”, destacou.

Carlos Lopes, atual diretor de redação do Hora do Povo, vice-presidente do PPL e amigo de toda a vida de Cláudio, ressaltou seu legado para a revolução nacional. “Nos últimos momentos de vida do Cláudio, de vida física, uma das coisas que ele nos levantou, é que é claro que a revolução no Brasil, no momento atual, é nacional, democrática e popular. Mas que não existe uma muralha da China entre isso e o socialismo. Por quê? Porque na medida em que você implementa a revolução nacional, você na verdade forma as condições para chegar ao socialismo. E tem mais, se você continuar apenas na etapa nacional, o capitalismo começa a formar um monopólio dentro do próprio país. E convenhamos, meus amigos, nós sabemos disso bem porque aqui já tem Odebrecht, essas coisas que não são multinacionais. É claro que o capitalismo tende a formar isso, mas essa não é a nossa situação atual. A nossa situação atual é fundamentalmente, como disse Cláudio no informe ao III Congresso do MR8, na verdade a falta de capitalismo, temos que implementar isso no sentido de desenvolver o país, porque sem crescimento é impossível você ter qualquer espécie de justiça social.

“Se vocês me perguntarem qual é a característica fundamental do Cláudio, eu me lembro dele lá em casa por exemplo, como ele tratava os meus filhos e as suas filhas, eu diria que sua característica principal era a ternura. Era um homem terno, agora era um homem sem, vocês me permitem um termo que não esta muito em moda, um homem sem frescura”, contou Carlos Lopes, e explicou. “Tem certas coisas que só um palavrão é capaz de afirmar, e o Cláudio conseguia isso. Isso fazia parte de que? Essa ternura, essa capacidade de se indignar, inclusive de sintetizar as coisas com um palavrão. O que isso significa? Significa um amor profundo à verdade, ou seja, ele era, e nisso daí ele era, e eu não estou pretendendo tratá-lo como santo, que ele não era e detestaria ser tratado como um, mas o amor à verdade, a luta pela verdade era nele permanente”, afirmou.

O secretário nacional de Organização do PPL e presidente estadual do partido em São Paulo, Miguel Manso,  resgatou a contribuição do Cláudio durante a ditadura para o avanço da esquerda e na derrubada do regime. “Nos tempos de ditadura, no então MR8, ainda com muitos companheiros nossos na clandestinidade, havia um debate, uma discussão da esquerda brasileira se ela deveria ou não participar dos processos eleitorais, porque uma parte expressiva do nosso lado achava que a eleição era uma forma burguesa de manipulação do povo. O Cláudio lançou na época um documento chamado “Socialismo e Liberdades Democráticas”, assinado com seu pseudônimo, Daniel Terra, que polarizou a luta política no Brasil na década de 70 e trouxe efetivamente as correntes progressistas, as correntes socialistas mais avançadas da sociedade para o terreno da luta política, da luta eleitoral”, contou Miguel.

“Eu acredito que quando a gente fala para todo mundo ler o livro, conhecer um pouco mais essa obra que fala como as multinacionais quebram a economia do país através da ação dos monopólios, conhecer um pouco mais da história da União Soviética, é para a gente poder se apoderar dessa história. Na época da URSS nos tínhamos uma situação com mais de 90% das mulheres empregadas, as mulheres trabalhavam, as mulheres tinham salário, as mulheres tinham creches, as mulheres tinham atendimento na maternidade, ser mãe era uma dádiva naquele país. Com o fim da União Soviética tudo isso foi embora”, disse Márcia Campos, presidente da Federação Democrática Internacional de Mulheres, membro da executiva nacional do PPL e irmã do Cláudio.

Márcia lembrou que foi à França duas vezes a pedido do irmão. “Fui para a biblioteca com um monte de papeizinhos escritos ele em busca dos tratados de Moscou que estavam ali. Ele tinha essa capacidade, de buscar a resposta para as dúvidas que tinha nos tratados, muitas vezes escritos pelo inimigo, e dali ele extraia a verdade”.

Esteve presente também o vereador Eliseu Gabriel (PSB), que foi quem cedeu o espaço na Câmara para a realização do lançamento. “A gente tem visto como a questão da soberania é fundamental para o país. A crise econômica esta destruindo as nossas empresas nacionais, a gente vê claramente o preço a qual nossas empresas estão sendo vendidas aos monopólios multinacionais, é um absurdo. Essa é uma crise gravíssima causada por um governo absurdamente incompetente e irresponsável, dirigido pela presidente Dilma. A gente não pode entender que essa é uma crise por culpa de questões internacionais. Mas, eu queria dizer principalmente da minha admiração por esse grupo, pelo PPL hoje, que acompanho desde muitos anos, desde o MR8 e sempre estive muito próximo. Sempre aceitei e assisti com grande admiração os discursos do Cláudio Campos”, destacou o vereador.

O presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil, Presidente do PPL da Bahia, Ubiraci Dantas, contou que Cláudio conseguiu aprofundar a luta contra o imperialismo, resgatar o papel de Getúlio na nossa história e essa “é uma contribuição inestimável”. Os inimigos não perdem por esperar. Com as contribuições do Cláudio está se formando um exército maravilhoso de homens e mulheres para conquistar a forma mais avançada de democracia que é o socialismo”, salientou Bira.

“Sem duvida nenhuma esse livro é um livro fundamental para o nosso estudo, para que se busque compreender as razões que levaram ao momento de crise no socialismo da União Soviética, no momento que o socialismo deu um paço atrás naquele país. Sem duvida nenhuma o nome do livro deixa um recado, também fundamental para nós, um recado de que a história do que foi construído na URSS permanece conosco até hoje”, afirmou o presidente da Juventude Pátria Livre, Gabriel Alves

Também fizeram parte da mesa o pré-candidato a prefeito de Guarulhos, segunda maior cidade do Estado de São Paulo, Néfi Teles, e a presidente da Federação de Mulheres Paulistas, Eliane Souza.

O lançamento contou com a presença de diversas lideranças dos movimentos sociais e político, de ex-integrantes do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR8) e atualmente dirigentes do Partido Pátria Livre (PPL), partido que Cláudio ajudou a fundar.

Cláudio dirigiu os trabalhos do jornal Hora do Povo desde sua fundação em 1979 até seu ultimo dia em vida.

MAIRA CAMPOS

FUNDAÇÃO INSTITUTO CLÁUDIO CAMPOS